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sexta-feira, novembro 06, 2009

Lutero e a Igreja do Pecado


Poucos livros me trouxeram tantos dissabores quanto este. Hesitei em escrever-lhe uma resenha por duas razões: 1ª Eu não queria divulgá-lo em meu círculo de amigos e em minha Igreja. 2ª Falar contra a pena de Fernando Jorge - que é tido como o responsável pelo enfarte que matou Paulo Francis - é muito difícil. Entretanto, vi que ele chegou a sua 7ª Edição, e me senti na obrigação de escrever algo.


A leitura é cativante. Caracterítica do bom escritor que é Fernando Jorge. Dificilmente se larga o livro depois de começado e muito menos o assunto: a vida de Lutero.


O problema é que ele mostra Lutero como um verdadeiro degenerado. Um endemonhinhado.


As citações que ele faz de Lutero padecem de dois males que não compensam seu texto escorreito. 


1) Nas citações diretas do que Lutero escreveu ele deixa de lado o contexto da época e as apresenta no nosso. Por exemplo: Quando Lutero disse "durmo mais com o diabo do que com minha mulher" ele referia-se às constantes tentações que sofria e que lhe atingiam de modo mais íntimo do que a presença de Catarina na mesma cama. 


Isso é tão claro para quem é salvo, e conseqüentemente atormentado pelo pecado. Porém, ele mostra com tal sutileza que um leitor desavisado pensa que ou Lutero era louco ou declarava manter relações sexuais com o demônio.


2) Nas citações indiretas há um erro maior. O autor baseia-se primeiramente nas 'Conversas de mesa' (Tishreden) que embora tenham começado a ser compiladas ainda durante a vida de Lutero adquiriram a forma que temos hoje quase dois séculos após sua morte.


Lutero recebia amigos e alunos para conversas em sua casa, onde, à mesa, ficavam debatendo os mais diversos tipos de assuntos. Esses debates eram anotados por alunos, ou colaboradores e foram adicionados, depois de sua morte, ao que Johannes-Matesius já havia colecionado quando ele era vivo. 


Ora, as grandes acusações feitas por Fernando Jorge baseiam-se nesses textos. Lá diz-se que Lutero cria que Jesus era amante não só de Madalena como da Mulher Samaritana.


Creio que Fernando Jorge, não gostando do protestantismo, resolveu dar um tiro naquele que é tido como seu fundador: Lutero. 


Não é o caso de defendê-lo. Homens mais importantes do que Lutero, como Abraão, tem seus erros mostrados pela própria Bíblia.


Porém, Fernando Jorge é injusto com Lutero: Foi além de seus erros. 


Lutero é reconhecido por qualquer protestante que pense um pouco, como um homem falho e carregado de pecados. Mas não há por que imputar-lhe pecados além dos que ele mesmo cometeu e pelos quais se afligia.


Emfim. Não recomendo a leitura e muito menos a compra do livro. Você estará jogando dinheiro fora. Pior: sofrerá o que eu já sofri ao lê-lo.

quinta-feira, novembro 05, 2009

O mais relutante de todos os convertidos

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Neste pequeno livro ficamos sabendo um pouco mais da Vida e da Obre de C. S. Lewis. Na verdade ficamos sabendo bem mais, já que seu autor, David Downing, é arguto o suficiente para misturar as duas.


Valendo-se de seu diário, de sua correspondência e dos escritos de seus amigos, Downing faz uma biografia cronológica e mostra como cada fase da vida de Lewis afetou seus muitos escritos. 


Tráz também novidades a respeito dele. Eu não sabia que Lewis envolvera-se com espiritismo. Downing mostra tanto os rastros do que ele aprendeu, como de seu repúdio. Como um exemplo marcante ele narra a assistência que Lewis prestou a um amigo que continuou aprofundando-se no espiritismo. Vendo sua agonia ao morrer Lewis anota em seu diário verdadeiros conselhos para si próprio de como encarar a vida e evitar o envolvimento de seu amigo. Estes conselhos serão repetidos por Ramsom ao 'semi-homem' - possuído pelo demônio - no romance Perelandra.


Enfim. É um livro obrigatório a quem gosta do que Lewis escreveu. Recomendo-o com alegria. Compre. Você não estará jogando dinheiro fora.